O dia em que a rede social implodiu o Enem da Rússia

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Quem curte Rússia, certamente já conhece o vkontakte.ru. É uma espécie de ‘Facebook’ para chamar de seu que o povo de lá usa. O que talvez você não saiba é que esse serviço vai ser processado pelo estado e pode ser até encerrado. O motivo: divulgar ‘cola’ das provas do EGE, o ENEM de lá.

Para começo de conversa, o ‘Vkontakte’ é a maior rede social da Rússia – que tem como concorrente o ‘odnoklassniki.ru‘. Hoje, tem mais de 100 milhões de contas. Para se ter uma ideia, o Facebook tem 700 milhões de contas no mundo, mas apenas cerca de 20 milhões são do Brasil. A Rússia não figura nem entre o top 20 mundial de países usuários do Face. Lá, o Vkontakte é soberano.

Já o Единый государственный экзамен (ЕГЭ), ou Exame Estatal Unificado, desde 2009, é o principal meio de acesso dos estudantes às universidades russas. Como no Brasil, é feito pelos estudantes do ensino médio que terminam seus cursos, e serve para o balizamento da qualidade da educação no país.

Pois bem. Ontem, o Рособрнадзор – a sigla para o Ministério da Educação e Cultura da Rússia – abriu uma espécie de sindicância, que pode virar processo penal contra o Vkontakte, após denúncias de que as respostas da prova de matemática do EGE estariam sendo vendidas e distribuídas na rede social.

Além de casos de alunos que fotografaram e postaram na rede as respostas do exame, houve também uma situação de um professor, que teria fotografado as provas e iniciado um movimento para espalhar o material na internet. Embora pareça óbvio que o sujeito não tenha feito isso por amor à pátria, ainda não foi provado que ele o fez por dinheiro.

E quem ‘descobriu’ o caso o gigantesco golpe foi o famoso professor Dmitri Guschin, eleito o melhor da Rússia em 2007 (sim, eles fazem isso na Rússia e eu acho muito legal). Segundo Guschin, os alunos recebiam por MMS as respostas, mas teriam pago por elas cerca de 300 rublos – coisa de US$10. Um golpe inteligente: vender barato para vender muito.

Mas, de qualquer maneira, a coisa não ficaria escondida. Depois dos exames, uma enxurrada de alunos malandros teriam entrado nos fóruns das redes sociais para ‘compartilhar experiências’ sobre o uso das respostas e sobre as provas em geral. Alguém, em algum momento, iria perceber. Esqueceram de pedir para que os alunos fossem discretos após colar…

E o Vkontakte não poderia ficar calado. O relações-públicas da rede social negou qualquer responsabilidade no caso. ‘Eles podem abrir processos do jeito que quiserem. Claro que iremos analisar, estudar tudo. Mas sabem que isso não tem quaisquer perspectivas. Estão querendo culpar alguém’, disse Vladislav Tsypluhin ao site Vesti.ru

Outra nuance do caso é que, até ano passado, telefones celulares não eram proibidos durante o exame. Mas esse ano, a nova regulamentação vetou o uso dos aparelhos. Desta forma, todos os que usaram, tiveram suas provas anuladas. E onde há suspeita de ‘vista grossa’ – que também, naturalmente, não foi de graça – está sendo apurada a participação dos professores e monitores.

Ainda de acordo com dados do ministério, mais de 300 mil formandos já estão na ‘lista negra’ e podem ter suas provas anuladas a qualquer momento. Oito já foram punidos, além de 3 docentes, que podem ser até presos.

E o caso vem um péssimo momento para o vkontakte. Justamente hoje, eles iniciam uma grande campanha para uma espécie de ‘expansão mundial’. Vão agora atender no domínio ‘vk.com’, em detrimento do ‘vkontakte.ru’. Eles queriam mídia e conseguiram. Mas não exatamente desse jeito…

PS.: Para quem está estudando, as palavras do dia – além das do texto – são:
– Шпаргалка: cola (de trapacear em exames e provas)
– иск: processo

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