Oktobertfest de Moscou pode ser proibida

Todo mundo conhece a Oktoberfest né? Bom, óbvio que a Rússia também tem sua versão. Embora não tão grande e tradicional em comparação mesmo com a versão brasileira – tem apenas dez anos e junta apenas algumas dezenas de milhares de pessoas – a versão russa começa a chamar atenção. Não pela alegria, farra e beberragem. Mas pela polêmica ‘caça’ do governo aos eventos que incentivam o uso de bebidas alcoólicas (lembre-se que o alcoolismo por lá é considerado problema de saúde pública). Mas, tem lugar para a Oktoberfest em Moscou?

Do meio de setembro até mais ou menos o meio de outubro, dezenas de cervejarias de todo o mundo – e, surpreendentemente, até da Rússia – armam suas banquinhas no Complexo Esportivo Luzhniki (onde acontecem jogos de futebol, partidas de tênis, shows, festas, casamentos, festas de 15 anos, bar mitzvás…) ou fecham com restaurantes na capital para encarnar o espírito da tradicional festa da Bavária, onde salsichas, cervejas, concursos de chope a metro e músicas alemãs dão o tom. Nada que você ainda não tenha visto em Blumenau. Com a diferença de que tudo é em russo.

Pois bem. Toda essa fanfarra acontece justamente com o patrocínio do mesmo governo que gasta milhões em propaganda contra o consumo de álcool. E outros milhões no tratamento de alcóolatras. E, neste ano, pipocaram protestos, o que levou o governo a repensar a autorização para novas Oktobers em seu território. Por um lado, é hora de atacar o vício na bebida. Por outro, a venda de cerveja movimenta um mercado bilionário, especialmente quando se leva em consideração as dezenas de cervejarias do país que só conseguem vender seus produtos em feiras e pequenos eventos.

Essa semana, o vice-presidente da Associação dos Entusiastas da Cerveja (sim, isso existe na Rússia, não tem só vodka lá não!), Oleg Staruhin, deu uma entrevista revoltada ao ‘MK’, onde atacava a hipocrisia do governo com relação à Oktoberfest moscovita: ‘Ninguém vai deixar de beber menos por isso. Apenas Moscou vai perder uma festa’, disse, acrescentando que ninguém proíbe, por exemplo, o consumo de ‘samogon’ (bebida destilada feita em casa a partir de qualquer porcaria que fermente. Extremamente perigosa!), uma tradição da cultura russa. ‘Proibir a Oktober soaria muito bem na mídia, como se o governo estivesse fazendo seu trabalho’, acrescenta Staruhin. E ele lembrou ainda o futebol – e a decantada Liga dos Campeões – como maiores exemplos de beberragem pública. ‘No futebol, ainda mais na Champions, a cerveja flui como um rio…’.

A polêmica vai render, sem dúvida. Em dez anos, a Oktober russa cresceu quase 200% em volume de negócios movimentados, público e consumo de cerveja. E ainda deve crescer mais, se não for proibida. Mas, em todo caso, é sempre melhor ficar na cerveja do que partir para a vodka…

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