Perto do limite da (in)tolerância

Mais um caso policial sacode o noticiário russo: o assassinato do advogado Stanislav Markelov. Executar um advogado na porta de casa, com um tiro na cabeça, por si só, já seria motivo para alarde. Mas quando esse sujeito está ligado a defesa de chechenos, a coisa ganha outro tom.

Vamos resumir a história, antes de voltar ao assassinato. No ano 2000, uma denúncia escandalizou o país: a de que o comandante do exército russo Yuri Budanov havia sequestrado e torturado uma jovem chechena de 18 anos até a morte e escondido seu corpo, durante uma incursão na república “rebelde”. Budanov tentou enganar o júri, alegando que a menina era uma atiradora, que xingou sua família, que tentou pegar sua arma e, por fim, que estava drogado. Óbvio, acabou condenado a 10 anos de regime de segurança máxima.

Para o exército e os nacionalistas russos, Budanov sempre foi considerado um herói e modelo de soldado russo. Mas o destaque do caso foi, sem dúvida, Stanislav Markelov, o advogado da família da jovem chechena Elza Kungaeva. A partir daí, Markelov já estava marcado.

Yuri Budanov

Depois do caso Kungaeva, Markelov trabalhou ainda com acusados do ato terrorista no teatro Nord-Ost, em 2002, e outras polêmicas envolvendo caucasianos, crimes militares. Atuou no caso Anna Politkovskaya e fez uma série de denúncias graves contra o sistema judiciário russo.

Markelov convivia com as ameaças de morte. Mas os serviços de segurança russos o tinham como “persona non grata” e nada foi jamais apurado. Em uma ocasião, em 2004, a polícia chegou a recusar abrir ocorrência para apurar uma agressão sofrida pelo advogado no metrô de Moscou.

Stanislav Markelov

Então, no último dia 19, por volta das 2 horas da tarde, Markelov e sua companheira deixavam uma coletiva para falar da suposta libertação ilegal de Yuri Budanov, quando foram abordados por um sujeito que, com uma pistola equipada com redutor de ruído, atirou na cabeça do advogado e disparou duas vezes contra a mulher. O homem fugiu e o crime não teve quaisquer testemunhas.

Hoje, em Moscou, São Petersburgo e Grozni, na Chechênia, milhares de pessoas foram às ruas protestar contra o assassinato do advogado e exigir justiça. As manifestações ganharam fortes cores antifascistas, já que os grupos extremistas – assim como ex-comandados de Budanov e militares em geral – vinham ameaçando Markelov há anos.

Protesto antifascista

PS.: segundo dados dos órgãos de segurança da Rússia, do dia 1 até o dia 15 de janeiro, foram registrados cerca de 30 crimes de nacionalistas. Cinco estrangeiros morreram.

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Leia o post anterior:
Crise deve varrer propaganda política da Rússia

Enquanto aqui esperamos a marolinha virar tsunami, do outro lado do mundo a coisa já está para lá de feia....

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