Pilotar metrô: coisa de homem?

‘Comandar o metrô é serviço de homem’. Foi o que disseram para a jovem Anna Klevets, de 22 anos, que enfiou na cabeça que quer ser maquinista do metrô da antiga capital russa. “Ia pela escada rolante quando ouvi o anúncio de emprego e fui lá. É estável, com férias pagas, plano de saúde, licença-maternidade e ainda oferecem bolsa para você estudar”, disse.

Mas o anúncio dizia ‘somente para homens’ e mesmo no guichê, se recusaram a ver o currículo de Anna. ”Não tem nem esforço físico excessivo. Existem mulheres guiando tróleibuses, vans e mesmo do metrô, como seguranças’, segue justificando a moça.

E o caso agora virou questão de honra para a jovem. Os advogados justificaram o veto a mulheres no metrô de S-Pb com uma norma federal do ano 2000, que proíbe mulheres de trabalharem em cerca de 400 especialidades. E em 374º lugar está lá “trabalhar como maquinista de trens elétricos”.

“Ela não quer moleza mesmo”, diz a assessoria de imprensa do metrô de S-Pb, que ainda parabeniza a moça. “As mulheres estão até no cosmos. Se os servidores da área médica mudarem a lei, nós a aceitaremos. Hoje, não podemos violar a norma”, justifica a assessoria de imprensa. Pela qual responde… uma mulher: Yulia Shavel.

Anna Klevets, no quinto período da faculdade de Direito, diz ter forças para mudar o que for preciso. “Vou até a última instância. Não se pode baixar a cabeça. Vai ser uma vitória para as mulheres.”

Mas a própria Petersburgo já teve uma maquinista. Na verdade, três. A pioneira foi Natália Donskaya, que por 32 anos comandou uma composição. E ela aprendeu a pilotar ainda pequena, quando ia trabalhar junto com o pai. Quando ele morreu, ela decidiu assumir o lugar dele. ‘O trabalho é horroroso. Estresse, tráfego pesado, feriados na cabine, é preciso ter saúde de ferro, ficar oito horas no trem e esquecer da vida’. E Donskaya ainda avisa que, em caso de incêndio ou acidente, ninguém vai dar um desconto por haver uma mulher no comando.

Tudo isso aproveitando o barulho do Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Meio esquecido por aqui, na Rússia é absolutamente celebrado, quando todas as mulheres recebem flores e são festejadas em todos os lugares. Além de ser feriado nacional, sem expediente nas empresas ou repartições.

No Brasil, nunca houve restrições para as mulheres em quaisquer serviços de trens ou metropolitanos.

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