Programa sobre sequestros na Chechênia é censurado

Neste domingo, 30 de outubro, o programa ‘Центральное телевидение’, do canal NTV, deveria ter exibido um grande especial sobre os seqüestros que não param de acontecer na República da Chechênia. O foco do programa era, em particular, mostrar o trabalho da Comissão Mista de Defesa dos Direitos Humanos e sobre o caso de Islã Umarpashaev. No entanto, o programa foi censurado na Rússia Ocidental e Central, só sendo exibido no extremo Leste e nos Urais.

A íntegra do programa já caiu na Internet, óbvio, e conta a quantas anda os inquéritos e as investigações sobre sequestros na Chechênia. O especial fala também sobre a incapacidade dos membros da Comissão em conduzir uma apuração eficaz sobre a resistência intimidadora de forças chechenas ao cumprimento da lei.

O grande ‘emblema’ de o quanto a situação está fora de controle na República é o caso do sequestro, tortura e detenção ilegal de Islã Irisbaevich Umarpashaev, por quase quatro meses, em uma base do OMON (o BOPE da Rússia) na capital chechena, Grozny. Para chegar até o homem, que vive sob ameaça constante de morte, a equipe teve que desligar câmeras, celulares e ser vendada, numa sequência inacreditável.

Vale lembrar que a Comissão foi formada em 2009, e é composta por juristas com ampla experiência em defesa de todo tipo de vítimas e testemunhas de torturas e todo tipo de violações de direitos humanos. E olha que isso não é pouco por lá…

É difícil tentar dar as razões exatas para a retirada do programa da programação. Mas como a gente bem sabe, isso é sintomático. Quem deve, teme. Mas é uma prova de que, infelizmente, o trabalho dos grupos de direitos humanos voltou a seu ponto de partida, que é a luta pela liberdade de expressão.

É claro que é terrível quando um país chega a um ponto tamanho que as próprias forças da lei não a respeitam, impondo o terror, tortura e sequestros. Mas tudo fica muito pior quando sequer se pode falar sobre isso abertamente.

Enfim, mais um dia triste para quem estuda e trabalha com Rússia, comunicação e imprensa livre.

A quem entender, recomendo que assista ao programa aqui.

PS.: Em tempo, lembra da festança patética que o superpresidente da Chechênia deu para comemorar seu aniversário, onde estrelas de Hollywood como Vanessa Mae, Jean Claude Van Damme e Hilary Swank se prostituíram e queimaram seus filmes por lá? Pois é. A última, atriz oscarizada e renomada, acaba de demitir seu empresário de mais de uma década, por conta da proposta absurda e da cena lamentável que protagonizou no Cáucaso. Mas agora é tarde. Não tivesse ido. Veja como foi:

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