Quando falta um, não sobra outro

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Crise econômica faz Estônia suspender tradução de leis para o russo

Um dos países bálticos da esfera da ex-União Soviética, a Estônia tomou
uma decisão polêmica: não vai mais traduzir suas leis e decretos para a
língua russa. Só o inglês vai ter versões da produção do legislativo do
país. Má notícia para os quase 400 mil russos que lá vivem, quase 25%
da população do país. E péssima notícia para quem espera uma integração
maior da região.

Um anúncio aparentemente sem importância, mas
que esconde dois comportamentos condenáveis. O primeiro é a nítida má
vontade de governos de países ex-soviéticos e da antiga ‘Cortina de
Ferro’ para com os herdeiros do espólio de Lênin. Um após o outro,
nações como Estônia, Lituânia, Ucrânia e Cazaquistão abolem o ensino da
‘língua franca’, proibem transmissões de rádio e TV, vetam ensino do
idioma vizinho nas escolas e tomam uma série de medidas para
marginalizar os antigos ‘senhores’ presentes em sua população.

Uma
segunda atitude irresponsável é óbvio o desprezo por parte da maioria
dos russos que moram nestes países para com língua e cultura locais.
Não falam o idioma – já que todos se comunicam em russo -, não
respeitam as tradições e ainda tratam a todos com um ar de
superioridade irritante.

Conheço um casal de russos que mora
em Tálin, capital da Estônia. Não falam o estoniano e nem têm o menor
interesse. Imagino o quanto isso pode irritar um povo que, durante
décadas, teve sua identidade cultural suprimida em prol de um ‘bem
maior’. É como alimentar um ‘complexo de vira-latas’.

O
bilinguismo existe, mas fica restrito aos filhos e netos de casais
interétnicos. O russo ainda é a língua comum por toda a região, mas a
tendência de resgate de uma identidade nacional perdida deve minimizar
isso a médio prazo. E com isso, os ânimos se acirram, a intolerância
cresce e fenômenos como racismo e discriminação ganham espaço.

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