Runet vai ganhar superfiltro e ‘censura’

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Tenho lido muitos e muitos artigos nos últimos dias sobre o início da ‘censura’ na RuNet. Ao que parece, enfim, o Kremlin vai ligar seu poderoso filtro analisador de palavras e expressões com cunho ‘extremista’, ‘racista’ e ‘pornográfico’. Vai ser um ‘спасите наши души’, ou SOS, caso prefiram os senhores.

Vamos começar a história do começo. Na Rússia, há um órgão estatal, cujo nome é bem simples: Федеральная служба по надзору в сфере связи, информационных технологий и массовых коммуникаций (Роскомнадзор) – Serviço federal de vigilância na esfera das comunicações, tecnologias de informação e comunicação em massa. Pois bem, esse órgão criou um complexo analítico de níveis ainda não totalmente divulgados, mas seriam superiores àqueles que a gente vê nos filmes americanos.

Claro que tem muita piada – dos próprios russos – sobre o funcionamento do aparelho. Mas o fato é que tudo que for colocado na rede, oriundo da Rússia, vai ser investigado. Texto, foto, vídeo, áudio, tudo vai passar pelo analisador e seus poderosos filtros. Já ouviu falar de Big Brother? Então…

O nome dessa máquina é “программно-аппаратного комплекса контроля информационно-коммуникационной сети интернет” (complexo programático-analítico de controle informacional-comunicacional da rede internet), ou simplesmente ПАК. Então, se você lê blogs ou noticiário da Rússia, vai se acostumando com isso.

O PAC – como dito acima, apelido carinhoso do software – deles é composto de cerca de 5 milhões de palavras e expressões, que ainda não foram divulgadas para a blogosfera russa. E isso gera apreensão. Afinal, o que eles estão procurando? O que pode e o que não pode ser publicado? E a tal ‘liberdade de expressão’?

Mas a grande questão é: que tipos de SMI (sistemas de informação de massa, em russo), exatamente, serão monitorados? Somente jornais oficiais ou blogs? E, afinal, quando um blog se torna um sistema de informação de massa? Esse é o grande debate entre os jornalistas e blogueiros de lá – que, afinal, também acontece eventualmente cá.

Um sistema semelhante de controle já funcionava, mas em um esquema artesanal, com 10 funcionários recebendo informações de filtros e tomando decisões de notificar ou não o autor do material tido como ‘inapropriado’. Mas agora, com o sistema automatizado, fica difícil prever o resultado.

E a definição padrão, na mídia, parece ser essa abaixo, dada pelo blogueiro feruza:

“Оказывается, пока ты только начал вести блог и у тебя 30 читателей, ты в сознании людей – частное место. А как только ты начал писать интересно для многих тысяч, причем, ты эти тысячи не зазывал специально и осознанно, не планировал их приход, то есть они сами пришли, то – оп! Ты уже кому-то должен и вообще отвечай за публичность”.

Como isso vai terminar a gente não sabe. Mas num país que não tem nenhuma tradição democrática e que deu ao mundo siglas como Tcheka, NKVD e KGB, cuja reputação era de extrema competência – e politização – ao vigiar os cidadãos, qualquer movimento no sentido de ‘controle’ é visto com medo (ou resignação). Vamos ver no que vai dar isso.

Veja dois interessantes debates com argumentos e explicações sobre o tema. Em russo.

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