Rússia: da extrema esquerda à extrema direita

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Rússia: da extrema esquerda à extrema direita – Não sei se todo mundo sabe, mas os movimentos de extrema direita tem forte presença na sociedade russa. Nem precisa dizer que são minoria absoluta e que a maior parte da população adora hóspedes e passa muito longe de ser racista. Mas, para um país que foi arrasado durante uma guerra contra o nazismo, ver sua juventude afundada e movimentos skinhead é difícil de entender.

Estes jovens, geralmente entre 15 e 25 anos, não pregam outra ideologia que não a limpeza étnica da Rússia com relação a “não-eslavos”. Só isso. E, em 2008, segundo os órgãos de defesa da lei russos, nunca se matou tanto no país por motivos de ódio nacionalista.

Em fevereiro, um dos maiores líderes de grupos skinheads – e é assim mesmo em russo, skinhead – foi preso: Maxim Marsinkevitch, o Tesak, líder do “Format 18”. Tesak tinha uma longa ficha de arruaças, brigas, espancamentos, tentativas de assassinato, roubo e pegou 3 anos de cadeia. Não pelos crimes acima, mas por gritar frases racistas em uma conferência para a qual não fora convidado.


Outro caso chocante de 2008 foi a condenação dos líderes do bando Ryno-Skachevskovo. Dois estudantes de arte que comandavam uma microorganização que espancava – e matava – pessoas com características não-eslavas pelas ruas de Moscou, filmava as ações e depois postava tudo na internet. Ambos pegaram 10 anos de cadeia por 20 assassinatos e outras 12 tentativas. As vítimas: negros, caucasianos e orientais.

Mas sem dúvida, o caso mais chocante foi o assassinato da estudante de 15 anos Anna Beshnova, em outubro. O corpo da menina foi achado perto de sua casa, em Moscou, com marcas de todo o tipo de violência possível. O suspeito, um trabalhador (chamado em russo de gastarbaiter, vindo da palavra alemã, que significa ‘trabalhador hóspede’) do Uzbequistão.


Durante as investigações, e após a mídia “esquecer” do caso, em 10 de dezembro, a cabeça de um verdureiro do Tadjiquistão foi achada no lixo, e a foto da mesma enviada a todos os jornais e órgãos públicos, com uma ameaça de um grupo de skinheads para os policiais: “Ou vocês começam a limpar a Rússia ou nós vamos limpar vocês”.

O fato é que, a Rússia está longe de ser um país inseguro. Muito pelo contrário. Mas, como em toda a Europa, os movimentos de extrema direita avançam com certa tolerância do estado. Mas é infinitamente mais provável que você nem perceba isso e que tenha uma recepção inesquecível. Apenas se informe e procure não abusar: há perigo e ele tem uma natureza que nós não entendemos.

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Mestrando em Russo pela USP, formado em jornalismo pela UFF, Letras português - russo pela UFRJ e quase-formado em Cinema, ainda pela UFF, com pós-graduação em Moscou, pela MGU. Morei em Moscou e conheço bem muitas outras cidades russas e do Leste Europeu. Sou um profundo interessado no Cáucaso, onde também estive em várias cidades algumas vezes.
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