Rússia sem fronteiras: use seu olhar crítico

Longe de mim discutir com Silio Boccanera e Jorge Pontual, que têm zilhões de horas de voo em coberturas históricas de Rússia. Mas eu ainda questiono uma coisa no jornalismo internacional e no mundo dos correspondentes: o ‘eu não falo a língua do país que analiso’. Só isso.

Você pode ler – e provavelmente vai – muita coisa da literatura do país, muitos analistas alemães, ingleses, americanos, franceses, vai até morar de cara para a Praça Vermelha, se for o caso. Mas não vai sentir a alma do país, saber o que as pessoas realmente pensam, além daquilo que o intérprete filtra e te passa. E eu sei bem que intérpretes filtram, manipulam e até enrolam.

Lembro ainda que, quando se usa uma língua franca, há um filtro linguístico, que trava muitas emoções, expressões idiomáticas que fazem referências ou mesmo um comportamento inteiro. Afinal, para muitos linguistas, uma pessoa muda completamente ao incorporar outro idioma, exatamente como um ator.

Gostei MUITO do ‘Sem Fronteiras’, da Globo News, sobre a Rússia atual, dilacerada por atentados, atribuídos a grupos obscuros do Cáucaso. É um ponto de vista absolutamente válido. Mas eu levanto de novo a contradição: se a Rússia exerce esse controle de informação poderoso, como acreditar que os vilões que eles nos apontam são mesmo os vilões? Ou seja, você tem um ‘acreditômetro’, crê em algumas mentiras, mas desconfia da ‘mentira maior’.

Me pareceu bem simpática a análise do Angelo Segrillo. Naturalmente simplificada, deu alguns tons da política externa do país. E falou uma verdade: os BRICs são ‘parceiros’, mas o Brasil é a última prioridade russa, por diversos fatores – e lembre as eternas rusgas no comércio bilateral enter os dois países.

A minha impressão, singular e pessoal é: os russos se dividem entre os que acreditam em qualquer vilão e os que estão cansados demais, querem trabalhar em paz, e vivem num niilismo – por vezes religioso -, e não se preocupam com outra coisa que não seja viver.

Resumidamente, para mim, existem duas Rússias, duas FEDERAÇÕES russas: uma realmente russa. E outra para os estrangeiros. Mais ou menos como nas filas de passaporte. Quem não tem o passaporte com a águia vai pra esquerda, quem tem, vai pra direita.

Se você quiser realmente ter opinião, assista ao programa. Sem preconceitos, sem a obrigação de concordar ou discordar. Mas com o dever de pensar.

ASSISTA AO PROGRAMA AQUI

PS.: em tempo, me deu vergonha na hora que eles falavam nomes de lugares, pessoas e fenômenos russos. Micail Codorcovsqui?

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2 respostas para “Rússia sem fronteiras: use seu olhar crítico”

  1. Diogo Felix disse:

    Muito bom, Fabrício. Realmente, a língua é uma maneira de enxergar o mundo. Quando falo português sou uma pessoa, mas quando entabulo um francês, inglês ou espanhol, me transformo, de acordo com todos os valores, sinais e histórico cultural que aquele idioma carrega. Quando você domina uma língua, passa a compreender melhor o povo que a utiliza. Na tradução, portanto, muito se perde. E não adianta, a Rússia ainda está associada a muitas imagens estereotipadas para o olhar do estrangeiro. Mas isso tudo você já sabe hehe

    abs

  2. i like it Rússia sem fronteiras: use seu olhar crítico : Falando Russo now im your rss reader

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Leia o post anterior:
Ih, me formei em Letras, e agora???

Bom, não sei se alguém aqui sabe, mas me formei em Letras, Português-Russo, pela UFRJ, já tem uns bons muitos...

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