Russos descobriram ‘Dia sem Carro’ pelo rádio. Parados no trânsito

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Para quem não sabe, também teve ‘Dia sem Carro’ na Rússia. E, para quem não sabe, lá a tentativa dos ‘ecos’ foi um retumbante fracasso. Muito maior do que o mesmo ‘feriado’ aqui nas nossas terras. Para começo de conversa, já lembro aos que chegaram agora: o trânsito de Moscou é, senão o pior, o top 3 de piores do mundo (olha aqui e aqui. Na hora do rush + neve + sexta-feira, faz São Paulo parecer Tegucigalpa. E, na outra ponta da minha argumentação, está o fato de que, assim como o brasileiro, o russo é um bicho naturalmente malandro.

Bilhete verde do metro, especial para o 'Dia sem Carro'. Metade do preço"Só pra contextualizar: o tal ‘Dia sem Carro’ foi inventado na Europa (a Rússia também é meio Europa, mas você sabe que quando a gente fala Europa, quer dizer Alemanha, França, Inglaterra…) em 1998. E a Rússia tentou aderir em 2008. Mas não houve campanha nem nada, então o tal ‘ecoferiado’ passou batido. Esse ano, o governo entrou na brincadeira e investiu pesado. E junto com o governo, vem boa parte da mídia do país. Para se ter uma ideia, o metrô de Moscou iria custar a metade do preço no tal dia e foi ventilado o seguinte slogan: “Não se espante se topar com Yuri Luzhkov no metrô”. (Luzhkov é o prefeito da capital).
Dá uma espiada em como ficou o trânsito por lá.

Mas aí entrou a ‘malandragem’ russa. Caleijados com os enormes engarrafamentos, os moscovitas pensaram que, com todo mundo aderindo, o trânsito iria fluir melhor. Então, com todos contando com a consciência ecológica alheia, não deu outra: ninguém deixou o carro na garagem e o trânsito, que já era péssimo, conseguiu ficar pior. Foi um dia de pandemônio. Geralmente, às 9h da manhã, a média de engarrafamentos por lá é de 350km, de acordo com o índice Yandex. Ontem, bateu 400km. Para se ter uma ideia, SP atinge 100km no mesmo horário. E assim foi não só em Moscou. Piter, Vladivostok, Novosibirsk, Voronezh… O dia foi solenemente ignorado.


Aqui, a repórter do ‘Komsomolskaya Pravda’ pergunta aos motoristas se eles sabiam do ‘Dia sem Carro’. É cada desculpa esfarrapada…

No geral, os russos lidam com esses ‘dias’ de conscientização de forma meio debochada e blasé. Na ‘Hora da Terra’, a adesão foi ridiculamente baixa. Ninguém quis ficar às escuras para salvar o Planeta. E tem ainda o inacreditável ‘Dia sem Celular’, proposto pelo cineasta Timur Bekmambetov (famoso pelos filmes ‘Night Watch’ e ‘Day Watch’), no qual ele sugere que as pessoas desliguem seus telefones móveis para libertar-se, ao menos por um dia, da ‘dependência celular’.

Nas colunas de opinião dos jornais, a mesma opinião, exposta de uma forma ou de outra: para que os russos entrem na brincadeira, alguém vai ter que se coçar. Seja dando presentinho, seja dando adesivo, fitinha, qualquer mimo que dê uma alegria para o cidadão. E não é que a engraçada conclusão também cairia muito bem aqui no Brasil?

Depois falam que russo é muito diferente de brasileiro…Tudo bem que poucos vão entender, mas vale conferir a cobertura dos jornais de lá. É o tipo do caso que a imagem diz tudo.

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