Petróleo e gás na Rússia – passado, presente e futuro
mai 17, 2012 Economia, Ex-repúblicas
Sempre me interessou a história do petróleo na Rússia. Mas, por falta de tempo, nunca pesquisei ou entendi direito. O Felipe Goltz, amigo do blog e ótimo debatedor, resolveu resumir e contar aqui pra gente. O texto pode ser longo, mas vale muito a pena. Confira!
Por Luis Felipe Goltz, especialíssimo para o ‘Falando Russo’
A indústria do petróleo na Rússia origina-se em meados do século XIX quando o então Canato de Baku, situado às margens do Mar Cáspio, transformou-se em uma verdadeira Meca do petróleo. Poucos sabem, mas foi graças ao empreendedorismo de três irmãos suecos – até então desconhecidos do grande público, Ludwig, Alfred e Robert Nobel – que a cidade azeri tornou-se a maior produtora deste hidrocarboneto no mundo. Os irmãos Nobel foram os pioneiros em conceber uma nova dinâmica ao florescente negócio naquela região atrasada do mundo: construíram as primeiras refinarias privadas, assentaram o primeiro oleoduto e distribuíram o petróleo russo via navios-petroleiros construídos pelos próprios suecos.
Até então, carregava-se o petróleo de Baku em barris sobre o lombo de burricos. De acordo com a pesquisadora sueca Brita Asbrink, quando Alfred Nobel criou, em 1901, o prêmio que contém o nome de sua família, parte dos recursos que custearam este projeto – que perdura até hoje, como é sabido – provinha da empresa de petróleo dos irmãos Nobel, a Nobel Brothers Petroleum Company ou Branobel, como ficou conhecida entre os russos, uma corruptela de Bratiá Nobel, ou Irmãos Nobel em português. Pois Baku, uma antiga e esquecida cidade nos confins meridionais do velho império czarista, logrou a façanha de superar um país inteiro, os Estados Unidos da América, até então lideres mundiais na produção de petróleo, graças à mitológica Standard Oil Company, fundada em 1870 pelo não menos mitológico John Davison Rockefeller.
A situação da então nascente e próspera indústria do petróleo local tomou um rumo dramaticamente diferente com a queda do czarismo em 1917 e posterior fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1922. Com a planificação e coletivização compulsórias da economia por decreto de Lenin, todos os empreendimentos, refinarias, oleodutos e afins na região de Baku foram estatizados pelo governo soviético sem quaisquer compensações ou reparações a seus antigos proprietários, como os irmãos Nobel, por exemplo. Pelo contrário. Não foram poucas as violências cometidas pelos bolcheviques durante os tempos de confisco.
Apesar das profundas mudanças políticas, o petróleo permaneceu soberano, assim como nos tempos dos czares, constituindo a pilastra econômica mais sólida e confiável da União Soviética. Com o fim da antiga superpotência em dezembro de 1991, a recém-formada Federação Russa não podia mais contar com os importantes centros produtores de petróleo e gás natural da era soviética, como o Azerbaijão, a bacia de Shah Deniz, no Mar Cáspio, as imensas reservas de gás natural do Turcomenistão e os ainda inexplorados e promissores campos do Cazaquistão. Para o Kremlin, não era mero detalhe explorar e descobrir outras regiões que contivessem em suas entranhas o ouro negro. Era uma questão de sobrevivência.
O eixo do petróleo e gás natural começou a tomar outro rumo na antiga União Soviética com a descoberta de uma gigantesca reserva na Sibéria em 1965, na região de Tyumen: o campo de Samotlor, hoje controlado pela companhia anglo-russa TNK-BP. Trata-se de um colosso com centenas de quilômetros quadrados. Até hoje, um dos maiores campos petrolíferos do planeta, apesar de 47 anos ininterruptos de exploração. Habitar ou explorar uma região antologicamente conhecida por ser tão erma e inóspita como a Sibéria sempre foi um desafio. Se durante o famoso inverno siberiano atingem-se facilmente temperaturas próximas a 60 graus negativos, durante o verão, a tundra siberiana descongela-se parcialmente, com a formação de pântanos com enxames de mosquitos e outros insetos, tornando a vida dos moradores locais um constante desafio às leis de Darwin.
Mas a necessidade russa de aumentar as suas combalidas receitas durante os caóticos anos 90 fez Vladimir Putin, ao assumir o poder em 2000, mudar inteiramente a atitude do Kremlin para com a sua maior preciosidade. O antigo Ministério do Petróleo e Gás soviético havia sido desmembrado em uma série de novas corporações como a Gazprom, Yukos, SIDANKO, ONAKO, RUSIA Petroleum, Slavneft ( estas quatro últimas, junto com a inglesa BP, foram agrupadas em uma única companhia nos anos de 2003 e 2004, a Tyumenskaya Neftyanaya Kompaniya/British Petroleum ou TNK-BP ), Lukoil, Sibneft, Rosneft, Surgutneftgaz, Tatneft e Bashneft, sendo privatizadas – ou roubadas, de acordo com muitos russos – em sua grande parte durante o turbulento governo de Boris Yeltsin. Explicação etimológica: “neft” em russo significa petróleo.
Quando o assunto é petróleo, sempre foi e continua sendo complicado fazer negócios com os russos. A coisa se torna ainda mais difícil quando o petróleo é extraído no país deles. Todas as grandes companhias de petróleo do mundo sabem disso, mas também sabem que não podem ter a ousadia de impor quaisquer exigências “desagradáveis” ao Kremlin, sob pena de não participarem de um dos últimos eldorados do ouro negro do mundo. Nos anos 90, a BP inglesa teve um investimento de mais de US$ 500 milhões na antiga SIDANKO, digamos, “furtado” por seus parceiros russos.
Pode parecer um contrassenso, mas os ingleses decidiram passar uma borracha no passado conturbado que tiveram com os seus antigos sócios e fazer novamente negócios com as mesmíssimas pessoas que desfalcaram a companhia britânica na era Yeltsin. Fácil entender: uma companhia de petróleo vale tanto quanto tem de reservas provadas em suas mãos. Como há pouquíssimos lugares ainda “virgens” disponíveis e/ou financeiramente factíveis, a proverbial fleuma britânica da BP não resistiu e teve de se sujeitar à maneira pouca ortodoxa dos russos nos negócios. É o tal “russkie bizinetz”, onde só um lado ganha, ou seja, sempre os eslavos.
Vladimir Putin percebeu que, apesar de seu país ser um dos maiores produtores e exportadores mundiais de petróleo e gás natural, menos de 15% desse negócio estava nas mãos do Estado. A maior parte do bolo pertencia aos chamados oligarcas, como Mikhail Khodorkovsky (Yukos), Vagit Alekperov e Leonid Fedun (Lukoil), Boris Berezovsky e Roman Abramovich (Sibneft), Mikhail Fridman e Viktor Vekselberg (TNK-BP) e Vladimir Bogdanov (Surgutneftgaz). A fim de resgatar a Rússia da enorme decadência pós-soviética em que se encontrava, era crucial reavivar a economia e eliminar o mandarinato político que exerciam os oligarcas.
Segundo o projeto de Vladimir Putin, isso só seria possível realocando a maior parte dos recursos energéticos do país sob o pálio do Kremlin e retirando de cena aqueles magnatas que se opusessem ao planos do governo. Se necessário fosse, a ferro e fogo. E assim, um implacável e draconiano Vladimir Putin foi como um rolo compressor atrás deste objetivo. Em 2000, o oligarca mais poderoso da Rússia, Boris Berezovsky, então aliado e mentor de Putin, exilou-se em Londres. A Procuradoria de Justiça de Moscou incriminava-o em um cipoal de denúncias: participação em máfias, inúmeras fraudes fiscais, assassinatos de jornalistas – como o do famoso apresentador da TV russa Vladislav Listyev – e empresários, envolvimento com a guerrilha separatista chechena, dentre outras acusações graves.
Com a sua prisão uma mera questão de tempo, isolado e sem poder contar com o seu agora inimigo Vladimir Putin, o polêmico oligarca vendeu o que pôde ao seu antigo protegido e sócio, e agora igualmente inimigo, Roman Abramovich e fugiu. Com isso, Abramovich, aliando-se ao interesses de Vladimir Putin, passou a ser o único dono da gigante Sibneft. Em 2005, em um jogo de cartas marcadas, o proprietário do clube de futebol inglês Chelsea vendeu à Gazprom – na qual o governo é acionista majoritário – a sua participação acionária na empresa. A Sibneft foi extinta pelo Kremlin e formou-se a Gazprom Neft. Vitória de Putin.
Próximo passo, Mikhail Khodorkovsky, então o homem mais rico do país foi preso em um aeroporto na Sibéria em 2003 sob alegações semelhantes às de Berezovsky: mandante de assassinatos de rivais políticos e de negócios, fraude e evasão fiscal em massa. Bilhões de dólares em impostos e taxas atrasados. A solução? Liquidar a então maior empresa privada de petróleo do país, a Yukos. O comprador? A estatal Rosneft. Os defensores do antigo magnata alegam perseguição política. Khodorkovsky atualmente está preso em uma penitenciária na Carélia, próximo à fronteira com a Finlândia, até 2017. Todos os pedidos de vistas de seu processo ou perdão pelo governo russo foram categoricamente recusados até o momento.
A prisão de Khodorkovsky, apesar de muitos considerarem uma vitória de Pirro de Vladimir Putin, cristalizou o retorno inequívoco do Kremlin a um “quase-monopólio” sobre as imensas reservas energéticas russas, evocando, ao menos parcialmente, os tempos de domínio absoluto do setor pela antiga União Soviética. Além disso, também serviu como um importante recado de Putin aos demais oligarcas: as empresas que estes bilionários detêm (adquiridas – em sua imensa maioria – através da ilegalidade durante a era Yeltsin, diga-se de passagem) apenas permanecerão com os atuais donos enquanto estes colaborarem com o governo. Caso contrário, perderão tudo. Inclusive a própria liberdade.
Uma das principais políticas de Vladimir Putin é promover as empresas petrolíferas russas – estatais ou privadas, não importa – em “national champions”. Em outras palavras, corporações de âmbito global que operam nos mais diversos países, projetando desta maneira os próprios tentáculos geopolíticos do Kremlin mundo afora. Assim o fazem as firmas americanas – do setor de energia ou não – há muitas décadas. A maior empresa petrolífera privada da Rússia, a Lukoil, atua em lugares tão díspares como Iraque, Irã, Bélgica, Bulgária, Turquia, Colômbia, Venezuela, Uzbequistão e Egito. Além de ser dona de milhares de postos de combustível nos EUA, quando adquiriu as operações da Getty Oil em 2000 e as operações da Exxon-Mobil em Nova Jersey e Pensilvânia, em 2004.
Os russos, desde os tempos czaristas, sempre viram com enorme desconfiança a participação de estrangeiros no “seu” petróleo. Vladimir Putin, a contragosto, aprovou a aquisição de 20% da Lukoil pela americana ConocoPhillips em 2004, assim como 50% na TNK também em 2004 pela inglesa BP. A francesa Total é dona de 12% da Novatek, segunda maior empresa de gás natural do país. Apesar desta “invasão estrangeira” aos olhos de Vladimir Putin, que chegou a dizer que o acordo assinado entre a russa TNK e a londrina BP mais se assemelhava a um “tratado colonial”, os russos sabem que não há outra saída. O país possui reservas de hidrocarbonetos valiosíssimas, mas localizadas em territórios inóspitos, com clima inclemente a maior parte do ano, cuja obtenção com eficiência e segurança ambiental só pode ser obtida mediante a participação de empresas estrangeiras, detentoras de tecnologia de perfuração e extração em condições extremas de temperatura e profundidade que os russos ainda não possuem.
Em agosto de 2011, foi anunciada uma parceria estratégica para a exploração do Mar de Barents, considerado a “Arábia Saudita do Ártico”, entre a estatal Rosneft e os eternos “inimigos americanos” da Exxon-Mobil, não apenas a maior empresa de petróleo do planeta, mas a mais valiosa dentre todas as empresas do mundo. Em abril deste ano, a italiana ENI, velha parceira dos russos desde os tempos soviéticos, também confirmou a sua participação no projeto. Além disso, deve-se mencionar a faraônica empreitada, a tapas e pontapés, entre o Kremlin e a Shell desde 2002, nas Ilhas Sakhalinas, reserva de enormes depósitos de gás natural de imenso potencial econômico. O Japão está logo ali, a poucos quilômetros de distância ao sul, e necessita desesperadamente de novas fontes energéticas, após a hecatombe com o reator nuclear de Fukushima.
Segundo especialistas, é altamente provável que os japoneses sejam forçados a abdicar de grande parte de suas usinas nucleares (nota: nesta semana, o Japão desativou, possivelmente para sempre, seu último reator nuclear), face à sempre iminente possibilidade de novas tragédias naturais. Para não perder tempo, a Mitsui e a Mitsubishi juntaram-se a Shell e a Gazprom em 2006. A condição dos russos à participação estrangeira invariavelmente é: aos russos, sempre com a maior fatia de lucros futuros, mas sempre com os menores custos operacionais – sempre gigantescos – em projetos desta envergadura. Assim que iniciar à distribuição de gás natural sob, muito provavelmente, a forma LNG, Coréia do Sul, China e até a Índia – economias altamente dependentes da importação de energia – certamente serão prospectadas como futuros clientes.
Portanto, por mais que o Kremlin saiba que é fundamental diversificar e modernizar a economia russa para um maior desenvolvimento do país como um todo – e alguns passos, um tanto modestos ainda, estão sendo dados nesta direção, como o fomento às indústrias de alta tecnologia e setor de serviços – não resta sombra de dúvida quanto ao profundo “gosto russo” pela riqueza que sempre o alimentou e que provém das profundezas de seu subsolo, desde tempos preteritamente longevos: o velho e valioso petróleo.
Tags: economia, gás natural, história, neft, oligarcas, petróleo, rússia
Bate-papo sobre a Rússia no ‘Colherada’
mai 15, 2012 Cultura, Vida na Rússia
Recentemente, fui convidado por uma amiga para falar um pouco sobre Rússia e minha relação estranha com esse país misterioso e fascinante. O resultado é esse post aqui, no gostoso site “Colherada Cultural”, que, se você ainda não conhece, deveria dar uma espiada.
Aqui vai um trechinho do papo. O resto você pode conferir lá mesmo. Esteja convidado a dizer o que achou, se concorda, discorda…
Qual é a sua relação com a Rússia, um país tão diverso em cultura se comparado ao Brasil?
Fabrício Yuri – Minha relação com a Rússia… Não sei explicar. Começa e termina com a literatura, passando pela vodca, língua, amigos, política, frio e trens. É como diz o verso do poeta Fyodor Tyutchev, que todo russo sabe de cor: “Não se entende a Rússia com a razão / não se mede com medidas comuns / Ela tem forma própria / Na Rússia pode-se apenas acreditar”.
Como você vê a situação sócio-política da Rússia hoje, com Vladimir Putin ganhando novamente as eleições para presidente (ele assumiu o cargo essa semana), desta vez com fortes suspeitas de fraude na apuração dos votos?
Fabrício – Putin é um mal necessário. Não havia e não há outra força capaz de mover esse gigante. Lembro que a Rússia nunca soube o que é a democracia. E teve pouquíssimos períodos de paz, sem guerras internas ou externas. Mas creio que, agora, a tendência é mudar (embora no último domingo, 6 de maio, a pancadaria tenha rolado solta em um protesto por mais democracia). A geração soviética está saindo de cena, o cidadão comum está viajando mais, entendendo o mundo. Mas o símbolo do país é uma águia de duas cabeças. O russo nunca sabe o que é: se um asiático na Europa ou um Europeu na Ásia.
Sobre as fraudes, bom, ao passo que o russo está entendendo o mundo, o mundo não está entendendo a Rússia. A fraude na Rússia acontece de formas tão bizarras que é difícil crer. Mas isso é irrelevante. O problema maior é o monopólio da comunicação. A eleição começa e acaba aí. Não tem propaganda, não tem galhardete, santinho. Tem praticamente todos os canais de rádio e TV dando espaço para um candidato. Isso é fraude? Talvez. Mas é difícil explicar e vender jornal. Isso prova muito mais a incompetência de uma oposição que durante anos só se preocupou em viver das mordomias roubadas do espólio soviético e agora quer ter poder. Mas o principal “opositor” de Putin nunca ocupou um cargo público, tem relações com ultradireitistas, tem tendências homofóbicas e totalitaristas e, pior, estudou nos Estados Unidos. Mas isso também não é interessante sair nos grandes jornais. Ou seja, o russo não tem para onde correr…
Entre os viajantes que já passaram por Moscou, especialmente (não tanto São Petersburgo, que se apresenta até mais como uma cidade turística), há muitos comentários negativos da maneira como os russos tratam os turistas (de forma ríspida, por exemplo). Isso é verdade? Ou é uma daquelas lendas envolvendo a cultura dos países, como acontece quando dizem que os franceses são mal educados?
Fabrício – Eles têm uma metáfora para isso: o russo é como um rio congelado. Sob a camada de gelo, há um ambiente cheio de vida. Russos são os melhores hóspedes do planeta. Há um ditado que diz “o convidado é um santo” (ou um presente de Deus). Você chega na casa deles e é constrangedor. Eles te oferecem tudo o que têm. E ai de você se recusar… O problema é que, durante décadas e décadas, não havia turismo por lá. Como você convence gente que sequer sabia o que era “conta bancária” a viver do turismo, a explorar o tal santo ou presente de Deus? Existem cidades lindas, como Kazan, Yekaterinburg, Volgograd, Sochi, Ryazan, que só agora estão recebendo visitantes. Mas sim, russos são secos e duros no primeiro contato. Assim como europeus em geral. E assim como os brasileiros são extremamente sensíveis. Mas, se você conseguir se comunicar com um russo, não dou cinco minutos para se tornarem grandes amigos.
Por que um viajante deve passar pela Rússia nas suas próximas férias? O que ele vai encontrar por lá de marcante e único?
Fabrício – Para começo de conversa, O Kremlin e o Metrô de Moscou, Peterhof e o Hermitage, em São Petersburgo. Nada se compara, no mundo, a esses quatro lugares. Não tem Torre Eiffel, não tem Nova Iorque, não tem Versailles e não tem Louvre. E ainda a Praça Vermelha, o lugar mais inacreditável desse planeta. Quanta história esse lugar já viu, ao longo desses séculos? Ivan, o Terrível, cegou os arquitetos que fizeram a catedral de São Basílio (aquela das torrezinhas coloridas), para que não repetissem tamanha beleza jamais. Qual outro lugar do mundo rendeu tamanha “homenagem” a seus criadores? Se você é turista e não viu a Praça Vermelha, desculpa, você está só começando.
Só lembrando que o post na íntegra está aqui. Não esquece não, hein!
Tags: colherada, entrevista, rússia, turismo
Forbes lista os 10 maiores ricaços da Rússia
abr 24, 2012 Cultura, Economia, Vida na Rússia
Na última semana, versão russa da revista Forbes fez um ranking com os mais ricos do país. Enquanto todo mundo pensa nos óbvios, como Roman Abramovich, dono do clube de futebol inglês Chelsea, e Mikhail Prokhorov (lê-se prorrorov), candidato à presidência nas últimas eleições, a lista traz nomes novos e interessantes.
Aqui, vale um parêntese. Enquanto todo mundo ainda vê a Rússia como um lugar tosco onde ex-comunistas lutam contra ursos em meio a nevascas e bebendo vodka, a realidade é bem diferente. O país é o que tem o 3º maior número de bilionários e assusta os estrangeiros com uma ostentação inacreditável, que vai desde um café que custa 90 euros até porsches e ferraris douradas pelas ruas, sobretudo em Moscou, a cidade do mundo com uma quantidade recorde de supermagnatas.
Voltando à lista da Forbes deste ano, vemos uma novidade no topo: o uzbeque Alisher Usmanov, dono da superpoderosa holding ‘Metalloinvest’, com sua fortuna estimada em US$ 18,1 bilhões. Outro magnata do setor metalúrgico e de logística, Vladimir Lisin ficou em segundo lugar da lista, com US$ 15,9 bilhões em sua conta bancária. Completando o top 3 está Alexei Mordashov, dono da ‘Severstal’, com US$ 15,3 bilhões para gastar onde quiser.
Completando o top 10, temos, enfim, alguns nomes conhecidos:
4. Vladimir Potanin (Noril’skii nikel’) – US$14,5 bilhões
5. Vagit Alekperov (Lukoil) – US$13,5 bilhões
6. Mikhail Fridman (Alfa-Grupp) – US$13,4 bilhões
7. Mikhail Prokhorov (Oneksim) – US$13,2 bilhões
8. Viktor Veksel’berg (Renova) – US$12,4 bilhões
9. Roman Abramovich (Millhouse Capital) – US$12,1 bilhões
10. Leonid Mikhel’son (Novate’k) – US$11,9 bilhões
E dê uma espiada no álbum com as carinhas do top 10 de ricaços da Rússia. Você precisa saber reconhecer esses caras, que vivem viajando pelo mundo e podem estar no seu caminho em qualquer lugar. É a hora de pedir um qualquer emprestado…
Tags: bilionários, forbes, lista, rússia, ricos
Quanto custa: a vida na Rússia é mais cara ou mais barata que no Brasil?
abr 15, 2012 Economia, Vida na Rússia
Uma das perguntas absolutamente mais recorrentes aqui no blog é: morar na Rússia é caro? Quanto se gasta com comida/moradia/transporte por lá? E as principais cidades, Moscou e Píter, são mais caras que grandes megalópoles brasileiras, como Rio de Janeiro ou São Paulo?
Não vou dizer aqui ‘seus problemas acabaram’, pois a resposta pode variar muito, dependendo do que você faz aqui, seu salário, sua cidade, e de sua viagem para lá, época, lugar, orçamento. Mas dois sites podem te ajudar muito nessa árdua tarefa que é fazer uma estimativa média de quanto você vai gastar na Rússia – seja para uma viagem de turismo de 1 semana, hospedado na Arbat e na Nevskii, ou 1 ano no meio do nada, na Sibéria.
O primeiro site é o ‘Expatistan’ (site em inglês), que compara custos entre dezenas de cidades espalhadas pelo mundo, com ajuda dos próprios internautas, que vão alimentando o site com dados. Você pode avaliar se é mais caro passar 15 dias em Moscou ou em Nova York, por exemplo. No meu caso, comparei os custos de vida entre Rio de Janeiro (onde moro) e Moscou. Vamos a algumas conclusões:
- O combo do Big Mac é 32% mais caro no RJ
- 1 litro de leite integral é 16% mais caro em Moscou
- 1 kg de tomates é 60% mais caro em Moscou
- 2 kg de batatas saem 16% mais caros no RJ
- Pão para 2 pessoas, por 1 dia, sai 40% mais caro no RJ
Ou seja, no geral, Moscou é apenas 7% mais barata que o Rio de Janeiro, se a questão for encher a pança.
Já no quesito ‘habitação’, nenhum susto: Moscou bate o RJ de longe, sendo 39% mais cara que a Cidade Maravilhosa.
- Aluguel de um apartamento mobiliado de 85m2 em uma área nobre é 55% mais caro em Moscou
- Internet de conexão 8MB é 59% mais cara no RJ
- Uma hora de faxina custa abundantes 161% a mais em Moscou.
Já no quesito ‘transportes’, novamente, sem surpresas. O Rio de Janeiro é 33% mais caro que a capital russa e é mais barata apenas na bandeirada do táxi.
Outro serviço interessante é do site ‘Numbeo’, que traz uma comparação um pouco mais detalhada. Dá uma espiada:
- Comer em um restaurante simples é 45% mais caro em Moscou
- 1 bisnaga é 148% mais cara no RJ
- 1 MINUTO DE TELEFONIA CELULAR PRÉ-PAGA É 704% MAIS CARA NO RJ!
- 1 par de sapatos de couro custa 34% a mais na capital russa
- Aluguel é 30% mais caro em Moscou, no geral
- O metro quadrado no Centro é 43% mais caro em Moscou
Confiram, façam suas contas e ajudem os sites com dados. E lembrando que também é possível comparar com outras cidades do mundo ou simplesmente colher os dados, caso onde você more não tenha dados disponíveis. São ótimas ferramentas para te dar uma noção exata de que a vida por lá não é muito mais fácil do que aqui não.
Tags: capitais, comparação, custo de vida, moscou, preços, rússia
Palestras no RJ e em SP falam sobre Rússia e Geórgia
abr 10, 2012 Ex-repúblicas, Política
Nesta semana, teremos duas palestras muito interessantes sobre política na Rússia e no mundo pós-soviético (por mais que, às vezes, eu odeie usar esse termo). A primeira delas acontece amanhã, dia 11 de abril, na USP, com um diplomata russo, e promete abordar as controversas eleições russas, que elegeram Vladimir Pútin como presidente do país pela terceira vez.
A segunda, e não menos importante, acontece na sexta-feira, 13 de abril, na ESPM do RJ, por iniciativa do excelente CEBRI, e conta com a presença ilustríssima de Ekaterine Tkeshelashvili, Vice-Primeira Ministra e Ministra para Reintegração da Geórgia desde Novembro de 2010. Uma das figuras centrais do moderno governo georgiano, Tkeshelashvili é uma das responsáveis pelas grandes reformas, não só políticas, mas de mentalidade, que varreram e mudaram o país desde a Revolução das Rosas, que derrubou o eterno presidente ex-ministro das Relações Exteriores soviético Eduard Schevardnadze.
Uma das mudanças mais polêmicas, promovidas por Tkeshelashvili e que rodou o mundo, à época, foi a demissão de TODO o departamento de polícia de trânsito do país, devido aos altíssimos índices de corrupção. Ela mesmo explicou essa e outras medidas em uma palestra em Princeton, em abril de 2009, que você pode conferir em texto e áudio aqui, e no International Institute for Strategig Studies, em maio de 2011 (disponível aqui).
Aliás, torço para que ambos os organizadores das palestras, tanto o Laboratório de Estudos da Ásia, da USP, quanto o Centro Brasileiro de Relações Internacionais, da ESPM, sigam essa iniciativa da renomada universidade americana. Afinal, são palestras importantes que merecem estar disponíveis para consulta.
E, claro, quem puder ir, são duas chances imperdíveis e eventos importantíssimos. Recomendo fortemente.
Palestra: “Rússia pós-eleição de Putin: como ficará a política externa do país?”
O Laboratório de Estudos da Ásia (Departamento de História) convida para palestra “Rússia pós-eleição de Putin: como ficará a política externa do país?” com o cônsul-geral da Rússia no Brasil, Sr. Mikhail Troyanski, na quarta-feira, dia 11 de abril, às 18h30, no Auditório do Departamento de História. A atividade é gratuita e aberta aos interessados, sem necessidade de inscrição prévia.
QUA | 11.04 | 18h30
Auditório do Departamento de História. Av. Prof. Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo
O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) tem a satisfação de convidá-lo (a) para a Mesa-Redonda:
Georgia Successful Case of Social Transformation
com
Ekaterine Tkeshelashvili
Vice-Primeira Ministra
Ministra para Reintegração da GeórgiaEkaterine Tkeshelashvili é Vice-Primeira Ministra e Ministra para Reintegração da Geórgia desde Novembro de 2010. Nascida em 1977, Ekaterine é formada pela Faculdade de Direito Internacional e Relações Internacionais da Tbilisi State University (1999), tendo atuado como advogada no Comitê Internacional da Cruz Vermelha (1998-2001) e no Comitê de Direitos Humanos em Nova Iorque (2001). No Governo, ocupou os cargos de Ministra da Justiça da Geórgia (2007-2008), Ministra das Relações Exteriores (2008) e Secretária do Conselho de Segurança Nacional (2008-2010).
O objetivo da Mesa-Redonda é promover debate acerca das reformas introduzidas na Geórgia, desde a Revolução das Rosas de 2003, que geraram uma série de transformações na estrutura política, econômica e social do país.
Data: 13 de abril de 2012, sexta-feira
Horário: 10h00
Local: ESPM – Auditório do 11º andar – Rua do Rosário, 90 – Centro/ Rio de Janeiro.
Tags: espm, eventos, geórgia, política, rússia, relações internacionais, usp






















