‘This is Раша’: Euro vê nova batalha Rússia x Polônia

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‘This is Russia’. Nesta terça, aconteceu mais uma batalha – dentre as centenas ao longo da História – entre Rússia e Polônia. Desta vez, o campo era outro: o estádio, em Varsóvia, capital polaca. O duelo era válido pela primeira fase da Eurocopa e, já ao longo do dia, a cidade foi palco de um sem número de enfrentamentos dos torcedores de ambos os países e a polícia local.

Aqui faço o meu parêntese: a Polônia é um dos meus países top nesse mundo. Adoro Varsóvia, Cracóvia e Slupsk. O povo polaco me causou uma impressão inesquecível pela educação, presteza e simpatia. As cidades são lindas e seguras. Mas, quando se trata de Rússia, o rancor é muito, mas muito grande. Não só pela imposição violenta do socialismo, mas pelas guerras, por Katýn e outros tantos imbróglios entre os dois países.

Voltando à Euro. Além da pancadaria ter comido solta antes do jogo – e durante, já no estádio também -, algumas coisas me chamaram atenção. Maioria esmagadora no estádio, a torcida alvirrubra local vaiou muito o hino russo e era fácil ver cartazes e ouvir gritos ‘ruska kurva’, algo como ‘putas russas’. Mas, logo depois, a pequena torcida visitante espantou o mundo com um enorme ‘bandeirão’: ‘This is Russia’, no melhor estilo ‘This is Sparta’.

Na hora me veio logo à cabeça que, em vez de um espartano com uma espada, na bandeira, aquilo poderia ser um ‘bogatyr’ (богатырь, em russo, algo como um ‘heroi épico’). Figura clássica no folclore e história da Rússia, ele estava realmente lá. Aí, viajei um pouco mais. O ‘bogatyr’, de elmo, escudo e espada, seria ninguém menos que Dmitry Pozharsky.

Ok, admito que pode parecer viagem. Mas pensei isso na hora. E aí você pergunta: ‘Mas que raios seria esse tal Pozharsky? E o que ele tem a ver com a Polônia?’. Pois bem. Num primeiro momento, Pozharsky é um dos retratados naquela estátua em frente à Catedral de São Basílio (a das cúpulas coloridas que fica na Praça Vermelha, de Moscou).

Mas, e o que ele tem a ver com a Polônia? Bom, em linhas bem gerais, no século 17, a Rússia foi dominada pelo império lituano-polaco, que chegou até mesmo a ocupar o Kremlin de Moscou. Junto com Kuzma Minin (o outro cidadão na escultura da Praça Vermelha), Dmitry Pozharsky foi o heroi nacional que expulsou os odiados invasores lituano-poloneses da Rússia.

Até aí, tudo ficou na minha imaginação. Mas então eu topei com esse link, citando a entidade europeia contra o racismo no futebol. Ora, eu não estava louco nem alucinando.

Vale lembrar que, no jogo anterior, contra a República Tcheca (aliás, quanta ferida histórica essa Euro está abrindo), a torcida russa já havia sido acusada de extremismo, por fazer o tradicional som de macaco que racistas fazem nos estádios quando há um jogador negro (leia aqui, aqui e aqui). E a República Tcheca tem Selassie, filho de africano com uma tcheca.

Os representantes da UEFA já reconheceram a atitude dos russos como ‘extremista’. Ainda que isso mostre uma certa má vontade da entidade europeia ocidental com os torcedores de Arshavin e cia., é uma forma de provocação de gosto duvidoso. E, imaginem, poderia ser pior. De acordo com os fóruns de futebol, os planos dos russos eram abrir um enorme bandeirão escrito ‘Smolensk’ e jogar aviõezinhos de papel, lembrando a morte de membros do governo polonês em um acidente aéreo, em abril de 2010. Do qual, aliás, os russos são acusados de, no mínimo, negligência. (Mas é muito, mas muito improvável que a Rússia vá sofrer quaisquer sanções por conta do bandeirão, ao contrário do que andam noticiando por aí).

E, só para lembrar que essa ‘hostilidade’ via bandeirões em jogos de futebol tem alguma história. Na Liga dos Campeões de 2007-2008, o clube turco Fenerbahçe, sob o comando de Zico, chegou às quartas de final. No jogo contra o Chelsea, o mosaico gigante dizia ‘The Rising Sun Over Europe’, que foi interpretado à época como uma provocação por vários países, lembrando os períodos do domínio otomano.

O mesmo Fenerbahçe, em 2002, gerou um enorme mal-estar durante uma partida da UEFA Cup contra o clube grego Panathinaikos, quando um bandeirão que dizia ‘Kill for you’, de um grupo radical, foi aberto com membros do governo por perto.

Aí vocês dizem: imagina na Copa. De 2018…

PS.: Para quem não lê cirílico, o título do post é ‘This is Rásha’. Uma brincadeira que eles fazem, se referindo ao próprio país com a pronúncia em inglês, como no programa de TV ‘Наша Раша’.

1 COMENTÁRIO

  1. Rússia – extremismo/rascismo/xenofobismo a gente vê por aqui.

    Não tem só na Rússia evidentemente, mas em doses exageradas na mesma.

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