“Transiberian”, o filme, dá um gostinho da famosa viagem

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Acabei de assistir ao thriller de suspense “Transiberiano“, uma co-produção do Reino Unido, da Alemanha, da Espanha e da Lituânia. E que tem como pano de fundo, óbvio, a maior ferrovia do mundo. Tudo para contar uma história de suspense sobre contrabando de drogas para e pela Rússia.

Basicamente, é a história de um casal de americanos que deixa a China rumo a Moscou e conhece um outro casal bem estranho na cabine do trem. Durante os sete dias de viagem, eles vão descobrindo que o simpático casal na verdade… Bem, tem que ver saber o que acaba rolando.

Deu uma baita nostalgia ver a viagem de trem. Aliás, trem e estação de trem, na Rússia, é tudo igual. Claro que tem os coupês para burguês, com portinha fechada e vagão restaurante chique. Na real, o buraco é bem mais embaixo. Não cheguei a viajar muito pelo leste, mas fui longe, ao sul, em viagens longas, ouvindo “tatá-tatá” dos trilhos dias e noites sem fim.

As paradas são sempre as mesmas, com as vovós oferecendo de tudo – peixe, pente, bacia… – e os tios oferecendo aos gritos quartos de hotel e camas pra dormir. Todo mundo com cara de tratante e vigarista, mas, estranhamente, inspirando algum tipo de confiança. Loteria pura.

Eu, do fundo do meu coração, não recomendo que pessoas que não falem russo façam viagens longas de trem pela Rússia ou mesmo pelo leste Europeu. Não sei, mas é estranho. E me parece inseguro. As pessoas não são lá muito simpáticas e a dificuldade de comunicação é, por vezes, intransponível.

Por outro lado, as paisagens são coisas inacreditáveis. Esqueça o tipo de natureza ao qual você está acostumado. Esqueça morros, árvores e, sobretudo, o verde, se viajar no inverno. E o legal é que “Transiberiana” dá um painel bem legal de tudo isso.

Voltando ao filme… Sabe quando a gente vê americanos representando brasileiros, fingindo que falam português? Pois é, ridículo né? Então, é a mesma coisa com Ben Kingsley, o eterno “Gandhi”, que aqui é um policial russo. É patético vê-lo falando russo e pior, ensinando o ameriano Woody Harrelson a falar um mísero “Boa noite”. Nem é tão difícil, mas o cara consegue errar.

Lembro quando os russos viram um filme no qual Sean Connery interpretava um russo. Acho que era “Outubro Vermelho”. Ou não. Enfim, tinha uma cena que ele tomava vodka com os amigos. E nem segurar nem beber direito, estilo russo, ele conseguia. Isso virou piada por lá. “O cara não consegue beber vodka e quer falar russo?” é uma expressão que usam para zoar quem quer botar o carro na frente dos bois. Algo como “entrou agora no ônibus e já quer sentar na janela…”

O filme tem uns micos étnicos. Mas é um suspensão de primeira, bem amarrado, bem contado e com uma fotografia espetacular. Recomendo. Dá um gostinho da viagem (que farei nos próximos anos, com certeza), e ainda ensina uma lição preciosíssima: na Rússia, tenha muito medo da polícia.

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