Transiberiana na revista da TAM de janeiro

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A Transiberiana do final do ano passado – da qual ainda estou devendo os três últimos capítulos – na verdade é um projeto longo prazo e ‘cauda longa’, como alguns de meus amigos gostam de dizer. Além dos relatos no blog, algumas matérias devem sair aqui e ali, tem uns ensaios fotográficos que gosto de planejar, alguns minidocs e, quem sabe, um livro.

Mas o primeiro passo foi ganhar essas duas páginas na Revista da TAM – Nas Nuvens, na seção ‘Ponto de Partida’, feita com a colaboração dos leitores. Um pequeno drops, que ficou surpreendentemente mais bonita do que eu imaginava. Bela escolha de fotos. Curti. Para ler, o endereço é esse aqui http://www.tamnasnuvens.com.br/revista/site/

Uma coisa, porém, não ficou legal. No corta-corta típico dos editores, uma informação ficou incorreta: Birobidjan – a pequena Zion de Stálin no extremo oriente da Rússia de forma alguma tem a ‘melhor qualidade de vida do país’, é claro. O fato é que houve uma tosa e Khabárovsk, a real detentora do título, criado pela boca do povo, ficou de fora.

Para quem quiser, o texto full, real, na íntegra, sem cortes, está aqui embaixo. E prometo criar vergonha na cara e arrumar tempo para encerrar a epopeia aqui no blog!

tam_nas_nuvens

“A Transiberiana é um sonho. Uma espécie de “Jogos Olímpicos” de mochileiros e viajantes em geral. A ideia passar dias e dias em trens, contemplando paisagens incríveis, conversando com pessoas improváveis em lugares inimagináveis seduz até mesmo aqueles que adoram conforto e praticidade. Afinal, é muito melhor o impreciso que embala do que o certo que basta, como disse o velho poeta português.

Embarquei dia 17 de agosto para Moscou e, após alguns dias na encantadora capital russa, peguei o trem rumo ao misterioso interior da Rússia. Nada de China ou Mongólia: a missão era desbravar esse gigante, o maior país do mundo.

A primeira parada foi em Kazan, capital do Tatarstão, onde um fascinante Kremlin – palavra russa que quer dizer “fortaleza” – deixa o viajante boquiaberto. Na parada seguinte, Ecaterimburgo, onde uma pequena torre marca do fim da Europa e o início da Ásia. Em seguida, Tomsk, a “Oxford” da Sibéria, cidade gelada que vive do calor dos universitários.

A próxima parada foi Krasnoyarsk, a pulsante nova capital siberiana, que tem literalmente uma ilha de repouso em seu centro. Finalmente, Irkutst, à beira do estonteante Lago Baikal, mais antigo e profundo lado do planeta. Depois de contornar as geladas e cristalinas águas do Baikal, cheguei a Ulan-Ude, onde a cultura russa convive com a mongol em harmonia.

Dali para frente, no extremo oriente do maior país do mundo, parei em Tchitá, um dos pontos de exílio dos rebeldes “decembristas” russos, Birobidjan, a cidade judaica idealizada por Stálin bem antes de Israel e Khabárovsk, cidade com a melhor qualidade de vida do país. Por fim, um pôr-do-sol belíssimo em Vladivostok, nossa velha conhecida dos jogos de “War”, ali do ladinho do Japão, sede da frota naval russa do Pacífico.

Durante 30 dias, desbravar esse gigante foi, por vezes, como viajar no tempo. Em alguns lugares, a União Soviética ainda vive nos ônibus, trólebus, bondes, parques, arquitetura e modo de vida. Porém, o que fica mesmo é a experiência de ver o mundo passar pela janela do trem, aprender a compartilhar – comidas, palavras cruzadas e histórias de vida.  Afinal, não é todo dia que você cruza 10 mil quilômetros e descobre que uma viagem é muito, mas muito mais do que simplesmente estar em movimento.”

4 COMENTÁRIOS

  1. Fabrício,
    novamente parabéns pela aventura e os registros, mas além da supressão de Хабаровск (Khabarovsk), a foto do Kremlin de Moscou poderia ter legenda ou terem colocado a foto do Kremlin de Kazan, como está no texto. Tenho certeza que o equívoco foi do jornalista (da TAM!).

    с Новым годом! Feliz 2013!
    Miguel

    • É Miguel, é difícil lidar com alguns editores que ainda acham que mexer no texto dos outros é coisa fácil. Aí saem essas bobagens e a revista fica mal falada. Com razão. Ainda mais agora, que estamos todos a um email de distância. Custa escrever e perguntar?
      De qq forma, obrigado e abração!
      Fab

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